Janeiro
Flora 2014
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País faz primeira cirurgia pouco invasiva para tratar doença cardíaca rara

Foi realizado, pela primeira vez no país, um procedimento não invasivo, por cateterismo, para tratar uma doença chamada túnel aorta-ventrículo direito.

O Brasil é o segundo país a usar o cateterismo para tratar a doença –outra criança recebeu o mesmo tratamento na Índia, no ano passado.

O procedimento foi feito em dezembro de 2010 em uma criança de um ano e quatro meses em Curitiba e foi apresentado neste ano nos congressos brasileiros de hemodinânica e cardiologia.

O túnel é uma abertura entre a artéria aorta e uma cavidade do coração. Isso aumenta o fluxo de sangue para o ventrículo direito. A longo prazo, causa insuficiência cardíaca, pressão alta e atraso no desenvolvimento físico.

A doença congênita é rara –há apenas 11 casos confirmados na literatura médica, todos em crianças. Dez foram tratadas com cirurgia aberta, e quatro delas morreram.

Na técnica não invasiva um cateter é inserido na virilha e vai ao coração. Dentro do cateter há um plugue, que, como uma rolha, fecha o furo.

Segundo Cassio Fon Ben Sum, residente de cardiologia pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe, onde o procedimento foi feito, a técnica é segura e eficaz para esse tipo de problema congênito.

A intervenção foi paga pelo SUS e o plugue foi doado pela empresa que o fabrica.

“A cirurgia aberta seria mais difícil porque, na região afetada, estão as artérias coronárias, que são delicadas. Qualquer acidente poderia interromper o fornecimento de sangue no coração.”

A tendência é que o cateterismo seja usado em procedimentos cada vez mais complicados, segundo Carlos Pedra, médico intervencionista do HCor (Hospital do Coração). “A evolução da tecnologia e a miniaturização dos materiais permite abordar lesões muito complexas.”

Ele diz que, hoje, 70% das doenças cardíacas podem ser tratadas via cateterismo. Algumas, no entanto, não devem perder a indicação de cirurgia aberta, como a correção da inversão nas ligações da aorta e da artéria pulmonar com o coração.

“Mas hoje esses pacientes podem ser tratados com um misto de cateterismo e cirurgia. Em vez de competirem, as duas trabalham juntas.”

CANSAÇO
Com poucos dias de vida, Gustavo Menegacio dos Santos, de Colombo, no Paraná, tinha dificuldade para respirar, transpiração intensa, baixo peso e se cansava muito, principalmente após mamar.

Feito o diagnóstico, os médicos esperaram um ano para intervir. “Há problemas similares que se resolvem sozinhos depois de um ano. Enquanto isso, iniciamos tratamento com remédios”, diz Léo Solarewicz, coordenador do serviço de hemodinâmica do Pequeno Príncipe.

A equipe então discutiu a possibilidade de fazer o tratamento não invasivo.

“Os médicos disseram que seria melhor. Ele se recuperaria mais cedo e não sentiria muita dor”, diz Tamara Menegacio, 20, mãe de Gustavo.

Ela conta que ficou apreensiva pelo fato de o filho ser o primeiro no país a fazer o procedimento. Hoje, um ano após a operação, Gustavo não tem sintomas nem usa remédios. “Talvez ele não pudesse correr, seria uma criança sempre cansada. Hoje está bem, é um menino arteiro.”

Folha.com



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